Falar sobre lição é discutir diretamente as concepções de Educação. Educar não é apenas informar. Educar é formar, propiciando situações em que o aluno se sinta co-responsável pelo processo de aprendizagem.
Educar é fazê-lo perceber suas potencialidades, dificuldades e responsabilidades, para que se torne autor de suas ações e não um cumpridor de tarefas, apenas reproduzindo, e não criando e transformando.
Da mesma forma, na escola que formará os cidadãos do século XXI, o saber e as experiências do aluno são as matérias-primas fundamentais.
Dentro dessa perspectiva, a lição de casa adquire novo significado: deixa de ser um fazer escolar mecânico e imposto, e torna-se uma situação em que o aluno desenvolve, além do conhecimento específico, atitudes necessárias para o aprender contínuo.
Que atitudes são essas? Citamos algumas: ter hábitos de estudo; responsabilidade; motivação de estudar sozinho, no próprio ritmo; autonomia intelectual; organização; persistência, capacidade de solucionar problemas...
Como a lição pode fazer isso? Na Móbile, a lição de casa pode apresentar diferentes objetivos, que exemplificamos a seguir.

 
Ampliação do conhecimento
     São atividades que estimulam o contato com diferentes situações de desafios, em que o aluno é levado a buscar razões, relacionar causa e efeito, parte-todo, raciocinar, extrapolar e fazer inferências, considerando a aplicação dos conceitos e procedimentos aprendidos anteriormente.

A sistematização

     Neste caso, a lição promove a sistematização de um conhecimento trabalhado em classe. É fundamental diferenciar essa sistematização de uma ação mecânica e antiquada. A sistematização, que promove um espaço para que o aluno organize seu pensamento, reflita sobre sua aprendizagem e adquira a consciência do novo saber, acontece através de exercícios que possibilitam reflexão, análise, aplicação, compreensão e interpretação.

 
Preparação para a aula

     Outra forma importante de lição é a que leva à preparação para a aula seguinte. Isso acontece em propostas que estimulem a prática investigativa. Pode ser a leitura de um texto, a pesquisa de um tema ou assunto em livros, jornais e Internet, a seleção de idéias, a formulação de hipóteses, a observação, a criação de alternativas para solucionar um problema, a preparação de um resumo ou mesmo o levantamento de dúvidas.
Em qualquer desses casos, a lição de casa vai além da listagem de exercícios. Afinal, cabe perguntar: o que importa? A quantidade, o número de horas que o aluno passa fazendo tarefas, ou a qualidade, um tipo de lição que desenvolve habilidades, que amplia os conceitos estudados?
É importante ter claro que essas lições de casa podem produzir, no aluno e no grupo, situações de conflito. Dúvidas surgirão, algumas vezes com reações de angústia e ansiedade. Frases "como não consigo", "não sei nada", e outras podem surgir dentro de casa. Dessa forma, a família, muitas vezes, vê-se envolvida nesse turbilhão.
Muitos educadores acreditam que os pais não devem ter participação nesse processo. Claro, se o pai tomar para si a tarefa de responder as questões, isso não ajudará ninguém. Mas esse contato entre pais e filhos pode também ser muito rico.
Muitas vezes, no momento da lição, quem sabe os pais relatem suas experiências? Da mesma forma, esse estudo pode estimular a criação de um ambiente em que pais e filhos compartilham leituras, prazeres, conhecimentos e vivências.
Nesse contexto, os pais assumem um papel de incentivadores de novas posturas. Passam a ser parceiros na vida escolar dos filhos. Mas, se a lição é uma hora de conflito e cobrança, é melhor que o contato entre pais e filhos não se dê por meio das tarefas. Pois, aí sim, acaba-se em um jogo em que todos saem perdendo.


*Assessor Pedagógico da Escola Móbile
**Vice-diretora do Ensino Fundamental e Assessora Pedagógica de Português do Ensino Fundamental.
Antonio Freitas da Corte*
Cleuza Vilas Boas Bourgogne**
Disponível em: http://www.escolamobile.com.br/artigos/paraque.htm