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| Inclusão
Superando a Teoria. Larissa Dalcastagné |
A inclusão das pessoas com necessidades educativas
especiais nas escolas regulares é algo que muito recentemente
entrou no campo das idéias e vem sendo concretizado. Na teoria
superou-se a mentalidade primitiva, que considerava essas pessoas como
um peso morto, a mentalidade grega clássica que os considerava
pessoas fora dos padrões da estética e que por isso deveriam
ser eliminadas, a mentalidade da idade média que os considerava
como pecadores pagando por seus pecados . E finalmente superamos a mentalidade
moderna que lançava sobre eles um olhar meramente clínico,
e passamos a considerá-los pessoas com potencialidades e serem
desenvolvidas e também postas em serviço para o bem social.
Trabalhar com um projeto que visa incluir pessoas com necessidades educativas especializadas nas escolas regulares, é algo que começou a ser pensado mais seriamente só na metade dos anos 70, mais especificamente nos EUA. " No Brasil por essa época surgiram as classes especiais que se constituíram em espaço de segregação, pois passaram também a receber os alunos com dificuldades de aprendizagem" ( Proposta Curricular- Brusque p. 230). Uma criança com problemas de aprendizagem nem sempre é um portador de deficiências e a ele, não pode ser igualado na sua forma de tratamento. Foi só pela década de 90 que aqui no Brasil começou a se pensar na inserção dos portadores de deficiência em classes regulares com atendimento especializado. Isso impulsionado pelo acontecimento de 7 à 10 de Junho de 1994 em Salamanca Espanha, lá foi feita uma Declaração que trás consigo o compromisso com a Educação para todos: "1- Nos delegados a conferência nacional sobre necessidades Educativas Especiais, representando noventa e dois países e vinte e cinco organizações internacionais, reunidos aqui em Salamanca, Espanha, de 7 a 10 de junho de 1994, reafirmamos, por este meio, o nosso compromisso em prol da Educação para Todos, reconhecendo a necessidade e a urgência de garantir a educação para as crianças, jovens e adultos com necessidades educativas especiais no quadro de sistema regular de educação e sancionamos, também por este meio o enquadramento da ação na área das Necessidades Educativas Especiais, de modo a que os governos e as organizações sejam guiados pelo espírito de sua proposta e organizações." Guiados pelo espírito... deixar-se guiar pelo espírito dessa proposta é entender que é impossível e contraditório trabalhar com educação inclusiva pensando somente,naquelas pessoas com necessidades educativas especiais. Até mesmo porque, a prática da inclusão não deve abranger só um ou outro grupo, e não se limita somente no espaço e tempo, que a pessoa permanece dentro do âmbito escolar. A escola tem um papel importantíssimo na conscientização de que a pessoa tem seu espaço e deve lutar por ele também, na realidade extracurricular. O profissional que atua especificamente nessa área, deve ter acima de tudo sensibilidade e percepção aguçada, pois embora a nossa prioridade seja o aluno com necessidades educativas especiais, ele esta em uma escola regular com outras crianças, jovens ou adultos que não apresentam esse quadro e que também não podem ser descriminados. O nosso trabalho com os alunos portadores de deficiência deve ser diferenciado, mas na dosagem certa, para que não aja isolamento. Os alunos com necessidades educativas especiais devem ter a chance de aprender com os outros e também ensinar. Pois o nosso compromisso não é só dar assistência para os alunos com deficiência, mas também incentivar uma relação boa com eles e as outras pessoas, que predomine o respeito mutuo, o procurar e o deixar-se procurar por aqueles que por tanto tempo a sociedade evitou o encontro. A idéia desse projeto não é trazer o aluno portador de deficiência pro centro, mas pra fazer parte do grupo e sentir-se parte positiva e emancipadora da história. |
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