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Meio Ambiente vem sendo discutido no mundo inteiro, não somente
pela preocupação com a qualidade de vida das pessoas
como também pelas potencialidades econômicas dos recursos
naturais de cada país. Com os avanços da biotecnologia,
a vida silvestre passou a ter o preço incalculável
para as grandes corporações multinacionais, que buscam
em determinadas regiões a "matéria-prima"
biológica para muitos de seus produtos que, após serem
modificadas geneticamente, são comercializadas por valores
elevadíssimos.
Entre essas regiões cobiçadas, as florestas tropicais
assumem maior relevância na medida em que contém a
maior biodiversidade do planeta e possuem áreas desconhecidas.
Neste sentido, o Brasil ganha destaque especial já que possui
em seu território a maior parte da Floresta Amazônica
com número inigualável de espécies de plantas,
peixes, anfíbios, pássaros, primatas e insetos muitos
deles ainda não estudados. Por isso, o Brasil faz parte de
um seleto grupo de países notórios por sua megadiversidade
biológica, entretanto, também está na lista
dos países alvo da biopirataria.
Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),
nosso país detém 23% da biodiversidade do planeta
com patrimônio genético estimado em 2 trilhões
de dólares. Em razão dessa imensa riqueza, o Brasil
juntamente com alguns países como África do Sul, Madagascar,
Bolívia, Peru, Quênia, Argentina, Indonésia,
Índia, Rússia, Malásia e China passaram a serem
alvos da biopirataria praticada principalmente por grandes conglomerados
transnacionais. Eles levam, sem autorização, elementos
da fauna e flora nativas para o estrangeiro, com fins industriais
ou medicinais, sem qualquer pagamento ao país produtor ou
a população local, que muitas vezes já conhece
as propriedades curativas de espécies subtraídas.
Calcula-se que a biopirataria movimenta cerca de 10 bilhões
de dólares por ano no mundo e o Brasil corresponde por 10%
desse comércio ilegal. Segundo o Parlamento Latino-Americano,
cerca de 40% dos remédios são oriundos de fontes naturais
de origem vegetal e animal. Grande parte do principio ativo dos
hipertensivos é retirada do veneno de serpentes encontradas
em florestas brasileiras como, por exemplo, a jararaca.
As denúncias desse comércio ilegal são freqüentes.
Elas envolvem instituições oficiais de ensino e pesquisa,
cientistas e laboratórios estrangeiros que saem daqui levando
riquezas biológicas, para posteriormente registrar parentes
e gozar de vantagens econômicas obtidas à custa de
produtos gerados com nossas plantas e animais. A proteção
legal do patrimônio biológico em países subdesenvolvidos
é uma batalha sem fim. Muitos são carentes de tecnologia,
mas detentores de cobiçada fauna e flora. Portanto, como
esses países podem pressionar as megacorporações
de nações ricas e desenvolvidas?
Mais um motivo para que o uso sustentável da biodiversidade
seja uma das maiores preocupações da sociedade moderna,
que, conscientizando e sensibilizando-se da importância estratégica
da preservação da biodiversidade, deve exigir dos
governos posturas coerentes para a proteção ambiental
e para a exploração dessa riqueza.
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