FLORESTAS SAQUEADAS

 
Por: João Leonir Mantovani - Profº de Geografia
 

O Meio Ambiente vem sendo discutido no mundo inteiro, não somente pela preocupação com a qualidade de vida das pessoas como também pelas potencialidades econômicas dos recursos naturais de cada país. Com os avanços da biotecnologia, a vida silvestre passou a ter o preço incalculável para as grandes corporações multinacionais, que buscam em determinadas regiões a "matéria-prima" biológica para muitos de seus produtos que, após serem modificadas geneticamente, são comercializadas por valores elevadíssimos.
Entre essas regiões cobiçadas, as florestas tropicais assumem maior relevância na medida em que contém a maior biodiversidade do planeta e possuem áreas desconhecidas. Neste sentido, o Brasil ganha destaque especial já que possui em seu território a maior parte da Floresta Amazônica com número inigualável de espécies de plantas, peixes, anfíbios, pássaros, primatas e insetos muitos deles ainda não estudados. Por isso, o Brasil faz parte de um seleto grupo de países notórios por sua megadiversidade biológica, entretanto, também está na lista dos países alvo da biopirataria.
Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nosso país detém 23% da biodiversidade do planeta com patrimônio genético estimado em 2 trilhões de dólares. Em razão dessa imensa riqueza, o Brasil juntamente com alguns países como África do Sul, Madagascar, Bolívia, Peru, Quênia, Argentina, Indonésia, Índia, Rússia, Malásia e China passaram a serem alvos da biopirataria praticada principalmente por grandes conglomerados transnacionais. Eles levam, sem autorização, elementos da fauna e flora nativas para o estrangeiro, com fins industriais ou medicinais, sem qualquer pagamento ao país produtor ou a população local, que muitas vezes já conhece as propriedades curativas de espécies subtraídas.
Calcula-se que a biopirataria movimenta cerca de 10 bilhões de dólares por ano no mundo e o Brasil corresponde por 10% desse comércio ilegal. Segundo o Parlamento Latino-Americano, cerca de 40% dos remédios são oriundos de fontes naturais de origem vegetal e animal. Grande parte do principio ativo dos hipertensivos é retirada do veneno de serpentes encontradas em florestas brasileiras como, por exemplo, a jararaca.
As denúncias desse comércio ilegal são freqüentes. Elas envolvem instituições oficiais de ensino e pesquisa, cientistas e laboratórios estrangeiros que saem daqui levando riquezas biológicas, para posteriormente registrar parentes e gozar de vantagens econômicas obtidas à custa de produtos gerados com nossas plantas e animais. A proteção legal do patrimônio biológico em países subdesenvolvidos é uma batalha sem fim. Muitos são carentes de tecnologia, mas detentores de cobiçada fauna e flora. Portanto, como esses países podem pressionar as megacorporações de nações ricas e desenvolvidas?
Mais um motivo para que o uso sustentável da biodiversidade seja uma das maiores preocupações da sociedade moderna, que, conscientizando e sensibilizando-se da importância estratégica da preservação da biodiversidade, deve exigir dos governos posturas coerentes para a proteção ambiental e para a exploração dessa riqueza.

 
                                                                                                                                          
WebMaster: ESPIN
Copyright © Secretaria de Educação - Todos os direitos reservados.