A inclusão da EJA no projeto educativo
da escola é de vital importância para o cumprimento
das funções a ela atribuídas de reparar,
equalizar e qualificar. Os objetivos educacionais são os
mesmos do Ensino Fundamental e/ou Médio freqüentado
por alunos entre 7 e 17 anos. No entanto, há especificidades
marcantes que precisam ser identificadas, particularmente quando
a tarefa é construir uma proposta curricular.
Determinar claramente a identidade de um curso de EJA pressupõe
um olhar diferenciado para seu público, acolhendo de fato
seus conhecimentos, interesses e necessidades de aprendizagem.
Pressupõe-se, também, a formulação
de propostas flexíveis e adaptáveis às diferentes
realidades, contemplando temas como cultura e sua - diversidade,
relações sociais, necessidades dos alunos e da comunidade,
meio ambiente, cidadania, trabalho e exercício da autonomia.
A identidade da EJA vem sendo construída e modificada ao
longo dos últimos anos. Anteriormente a denominação
"supletivo" embutia a conotação de compensar
"o tempo perdido" ou "complementar o inacabado",
com a idéia de substituir de forma compensatória
o ensino regular. O que hoje é concebido como educação
de jovens e adultos corresponde a aprendizagem e qualificação
permanentes - não suplementares, mas fundamentais e que
favoreçam a emancipação.
Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação
de Jovens e Adultos, é necessário que a escola assuma
a função reparadora de uma realidade injusta, que
não deu oportunidade nem direito de escolarização
a tantas pessoas. Ela deve também contemplar o aspecto
equalizador, possibilitando novas inserções no mundo
do trabalho, na vida social, nos espaços de estética
e na abertura de canais de participação. Mas há
ainda outra função a ser desempenhada: a qualificadora,
com apelo à formação permanente, voltada
para a solidariedade, a igualdade e a diversidade. |