Educação de Jovens e Adultos
Quem é Quem
 
Notícias | Histórico | Apresentação | Missão | Quem é Quem | Identidade | Formação | Suporte | Decreto Nº 5.089/03
 
Quem são os jovens
Assim como os adultos apresentam algumas características específicas que os diferenciam, os jovens também possuem especificidades que vão além da idade cronológica e mudanças biológicas pelas quais passam. Eles têm interesses, motivações, experiências e expectativas importantes a serem consideradas pelo professor para o desenvolvimento de seu trabalho pedagógico.

Cada sociedade, em cada época histórica e de acordo com os diferentes grupos que a constituem, define a duração, as características e os significados das fases da vida (infância, juventude, maturidade e velhice). Por exemplo, as culturas indígenas brasileiras possuem ritos que demarcam com clareza a passagem da condição de criança para a de adulto. Geralmente, ao atingir a maturidade sexual e, portanto, a capacidade de reprodução, o adolescente deve executar algumas tarefas específicas, para comprovar sua capacidade de se comportar como adulto. Ultrapassadas as provas, o indivíduo passa a ser considerado adulto, com direitos e responsabilidades claramente estabelecidos. A passagem da infância à maturidade é feita de forma clara, institucionalizada e ritualizada.

Em nossa sociedade, a entrada na juventude passa pela adolescência, mas sem definição clara de uma "idade de chegada". Menos definidas ainda são as idades de saída da juventude. Vários estudos apontam que a entrada definitiva no mundo adulto se dá pela associação de cinco condições: deixar a escola, ingressar na força de trabalho, abandonar a família de origem, casar-se e estabelecer uma nova unidade doméstica. Mas mesmo essas condições são relativas. No Brasil, a entrada no mercado de trabalho não significa necessariamente o final da juventude, pelo contrário, no mais das vezes é o trabalho que permite ao jovem ter acesso ao consumo e ao lazer característicos da vivência juvenil. Assim, também, a saída da escola não define a passagem para a fase adulta, pois este é um país em que não se tem garantido o acesso e a permanência na escola. A juventude, apesar de todas as transformações físicas que a acompanham, é um fenômeno social sem definições rígidas do seu começo e do seu final. Tais definições dependem do momento histórico, do contexto social e da própria trajetória familiar e individual de cada jovem.

A intensidade dos desafios e das descobertas vivenciados pelos jovens leva a uma extrema valorização do convívio entre eles, fazendo com que a sociabilidade ocupe posição central em sua vivência: os grupos de amigos, os grupos de pares constituem um importantíssimo espaço em que vão buscar respostas para suas questões.

As peculiaridades desse momento da vida, no entanto, têm sido ignoradas e até mesmo combatidas pela escola, o que traz sérias conseqüências. Privilegiando quase sempre uma concepção do que o jovem precisará na vida adulta, a escola às vezes pouco se pergunta o que ele necessita agora, e que dimensões humanas, potencialidades e valores devem ser privilegiados nessa fase da vida. Assim, a escola perde a capacidade de diálogo com os alunos e não consegue promover de maneira consistente o preparo para a vida adulta que tanto almeja.

Os alunos jovens possuem uma diversidade de conhecimentos sobre seu meio e utilizam diferentes formas de expressão que devem ser consideradas na escola: a partir de manifestações culturais (musical, teatral etc.) expressam suas opiniões de modo crítico, na maior parte das vezes, falando de suas dificuldades, de seus valores, suas perspectivas de futuro, do desemprego, da miséria, da corrupção, da poluição.

Reconhecer como legítimas (o que não significa inquestionáveis) as experiências que os alunos jovens vivenciam nos mais diversos espaços - no trabalho, na família, na dimensão cultural, na rua, nos grupos de pares e também na escola - torna-se condição para estabelecer um diálogo com os alunos, o que, por sua vez, é condição para que o conhecimento escolar tenha sentido para eles.
 
Quem são os Adultos

Até o final dos anos 70, a psicologia evolutiva tradicional entendia que os processos de desenvolvimento cognitivo terminavam com o fim da adolescência, que as crianças e os adolescentes cresciam e se desenvolviam, enquanto os adultos se estabilizavam e os velhos se deterioravam.

Em estudos posteriores, psicólogos interessados no processo evolutivo da idade adulta e da velhice apontaram que essas fases são etapas substantivas de desenvolvimento psicológico, um processo que dura a vida toda.

A idade adulta é rica em transformações e dá continuidade ao desenvolvimento psicológico do indivíduo. O adulto é alguém que evolui e se transforma continuamente. Seu desenvolvimento cognitivo relaciona aprendizagem, interação com o meio sociocultural e os processos de mediação. Em geral, mostra maior capacidade de reflexão sobre o conhecimento e sobre seus próprios processos de aprendizagem.

Além do desenvolvimento cognitivo, uma característica marcante dos alunos adultos refere-se ao autoconceito quanto às suas possibilidades e limites. Muitas vezes manifestam insegurança, medo de se expor ao ridículo, dizem que se consideram incapazes de aprender. Expressam ainda certa resistência à mudanças, talvez porque não é cômodo negar concepções arraigadas, construídas ao longo da vida. Parecem ter uma relação bastante "imediatista" com o conhecimento, querendo saber onde e como irão utilizá-lo, desconsiderando aquele para o qual não percebem uso imediato.

O aluno adulto tem como característica responder pelos seus atos e palavras, além de assumir responsabilidades diante dos desafios da vida. O predomínio da racionalidade é outro aspecto relevante dentro das distinções possíveis dos adultos; ao contrário de crianças e adolescentes, o adulto tende a ver objetivamente o mundo e os acontecimentos da vida, de modo que pode
tomar decisões movido mais pela razão.

Os alunos, ao retomarem ou iniciarem seu percurso escolar, trazem para dentro da sala de aula suas representações sobre a escola, o papel do professor e o do aluno. Normalmente, tais representações foram construídas em sua passagem anterior pela escola ou pelo contato com a escola de seus filhos ou de parentes próximos. A escola que esperam é um local onde os alunos serão consumidores passivos de conhecimentos transmitidos pelos professores, considerados como únicos detentores do saber. E as relações com o conhecimento se dão de forma predeterminada, ou seja, já está definido o que será dado em relação aos conteúdos; os alunos têm, na maioria dos casos, aulas expositivas, em que cópias de textos e exercícios repetitivos para memorização são a tônica do trabalho escolar.

Para lidar com as eventuais resistências dos alunos a uma nova proposta, os professores precisam estar preparados para discutir um novo contrato didático, deixando claro o que podem e devem esperar dos alunos e o que os alunos podem e devem esperar deles. Mas isso implica que esses professores tenham direito de aprender como ensinar - que tenham acesso a programas de formação continuada, e possam ampliar seu repertório de conhecimentos, para aprimorar sua prática e conseguir proporcionar aos alunos um ensino de qualidade.

 
WebMaster: CTIC | Fale Conosco | Topo
Copyright © 2000 - 2006 Secretaria de Educação - Todos os direitos reservados.