Assim como os adultos apresentam algumas
características específicas que os diferenciam,
os jovens também possuem especificidades que vão
além da idade cronológica e mudanças biológicas
pelas quais passam. Eles têm interesses, motivações,
experiências e expectativas importantes a serem consideradas
pelo professor para o desenvolvimento de seu trabalho pedagógico.
Cada sociedade, em cada época histórica e de acordo
com os diferentes grupos que a constituem, define a duração,
as características e os significados das fases da vida
(infância, juventude, maturidade e velhice). Por exemplo,
as culturas indígenas brasileiras possuem ritos que demarcam
com clareza a passagem da condição de criança
para a de adulto. Geralmente, ao atingir a maturidade sexual e,
portanto, a capacidade de reprodução, o adolescente
deve executar algumas tarefas específicas, para comprovar
sua capacidade de se comportar como adulto. Ultrapassadas as provas,
o indivíduo passa a ser considerado adulto, com direitos
e responsabilidades claramente estabelecidos. A passagem da infância
à maturidade é feita de forma clara, institucionalizada
e ritualizada.
Em nossa sociedade, a entrada na juventude passa pela adolescência,
mas sem definição clara de uma "idade de chegada".
Menos definidas ainda são as idades de saída da
juventude. Vários estudos apontam que a entrada definitiva
no mundo adulto se dá pela associação de
cinco condições: deixar a escola, ingressar na força
de trabalho, abandonar a família de origem, casar-se e
estabelecer uma nova unidade doméstica. Mas mesmo essas
condições são relativas. No Brasil, a entrada
no mercado de trabalho não significa necessariamente o
final da juventude, pelo contrário, no mais das vezes é
o trabalho que permite ao jovem ter acesso ao consumo e ao lazer
característicos da vivência juvenil. Assim, também,
a saída da escola não define a passagem para a fase
adulta, pois este é um país em que não se
tem garantido o acesso e a permanência na escola. A juventude,
apesar de todas as transformações físicas
que a acompanham, é um fenômeno social sem definições
rígidas do seu começo e do seu final. Tais definições
dependem do momento histórico, do contexto social e da
própria trajetória familiar e individual de cada
jovem.
A intensidade dos desafios e das descobertas vivenciados pelos
jovens leva a uma extrema valorização do convívio
entre eles, fazendo com que a sociabilidade ocupe posição
central em sua vivência: os grupos de amigos, os grupos
de pares constituem um importantíssimo espaço em
que vão buscar respostas para suas questões.
As peculiaridades desse momento da vida, no entanto, têm
sido ignoradas e até mesmo combatidas pela escola, o que
traz sérias conseqüências. Privilegiando quase
sempre uma concepção do que o jovem precisará
na vida adulta, a escola às vezes pouco se pergunta o que
ele necessita agora, e que dimensões humanas, potencialidades
e valores devem ser privilegiados nessa fase da vida. Assim, a
escola perde a capacidade de diálogo com os alunos e não
consegue promover de maneira consistente o preparo para a vida
adulta que tanto almeja.
Os alunos jovens possuem uma diversidade de conhecimentos sobre
seu meio e utilizam diferentes formas de expressão que
devem ser consideradas na escola: a partir de manifestações
culturais (musical, teatral etc.) expressam suas opiniões
de modo crítico, na maior parte das vezes, falando de suas
dificuldades, de seus valores, suas perspectivas de futuro, do
desemprego, da miséria, da corrupção, da
poluição.
Reconhecer como legítimas (o que não significa inquestionáveis)
as experiências que os alunos jovens vivenciam nos mais
diversos espaços - no trabalho, na família, na dimensão
cultural, na rua, nos grupos de pares e também na escola
- torna-se condição para estabelecer um diálogo
com os alunos, o que, por sua vez, é condição
para que o conhecimento escolar tenha sentido para eles.
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Até
o final dos anos 70, a psicologia evolutiva tradicional entendia
que os processos de desenvolvimento cognitivo terminavam com o
fim da adolescência, que as crianças e os adolescentes
cresciam e se desenvolviam, enquanto os adultos se estabilizavam
e os velhos se deterioravam.
Em estudos posteriores, psicólogos interessados no processo
evolutivo da idade adulta e da velhice apontaram que essas fases
são etapas substantivas de desenvolvimento psicológico,
um processo que dura a vida toda.
A idade adulta é rica em transformações e
dá continuidade ao desenvolvimento psicológico do
indivíduo. O adulto é alguém que evolui e
se transforma continuamente. Seu desenvolvimento cognitivo relaciona
aprendizagem, interação com o meio sociocultural
e os processos de mediação. Em geral, mostra maior
capacidade de reflexão sobre o conhecimento e sobre seus
próprios processos de aprendizagem.
Além do desenvolvimento cognitivo, uma característica
marcante dos alunos adultos refere-se ao autoconceito quanto às
suas possibilidades e limites. Muitas vezes manifestam insegurança,
medo de se expor ao ridículo, dizem que se consideram incapazes
de aprender. Expressam ainda certa resistência à
mudanças, talvez porque não é cômodo
negar concepções arraigadas, construídas
ao longo da vida. Parecem ter uma relação bastante
"imediatista" com o conhecimento, querendo saber onde
e como irão utilizá-lo, desconsiderando aquele para
o qual não percebem uso imediato.
O aluno adulto tem como característica responder pelos
seus atos e palavras, além de assumir responsabilidades
diante dos desafios da vida. O predomínio da racionalidade
é outro aspecto relevante dentro das distinções
possíveis dos adultos; ao contrário de crianças
e adolescentes, o adulto tende a ver objetivamente o mundo e os
acontecimentos da vida, de modo que pode
tomar decisões movido mais pela razão.
Os alunos, ao retomarem ou iniciarem seu percurso escolar, trazem
para dentro da sala de aula suas representações
sobre a escola, o papel do professor e o do aluno. Normalmente,
tais representações foram construídas em
sua passagem anterior pela escola ou pelo contato com a escola
de seus filhos ou de parentes próximos. A escola que esperam
é um local onde os alunos serão consumidores passivos
de conhecimentos transmitidos pelos professores, considerados
como únicos detentores do saber. E as relações
com o conhecimento se dão de forma predeterminada, ou seja,
já está definido o que será dado em relação
aos conteúdos; os alunos têm, na maioria dos casos,
aulas expositivas, em que cópias de textos e exercícios
repetitivos para memorização são a tônica
do trabalho escolar.
Para lidar com as eventuais resistências dos alunos a uma
nova proposta, os professores precisam estar preparados para discutir
um novo contrato didático, deixando claro o que podem e
devem esperar dos alunos e o que os alunos podem e devem esperar
deles. Mas isso implica que esses professores tenham direito de
aprender como ensinar - que tenham acesso a programas de formação
continuada, e possam ampliar seu repertório de conhecimentos,
para aprimorar sua prática e conseguir proporcionar aos
alunos um ensino de qualidade. |