Vivemos num mundo cuja característica
maior é uma constante mudança. Somos, diariamente,
protagonistas das conseqüências e seqüelas dessas
transformações, quer no terreno tecnológico
e científico, quer no terreno ético e moral. Novas
descobertas alteram nossos hábitos cotidianos, confrontam
e desestabilizam nossas crenças e valores, abalam e redimensionam
nossas instituições e processos de relacionamento.
Mudar, avançar, aperfeiçoar, recriar, aí
reside o imperativo maior de nosso tempo e a esse desafio estão
voltados e agregados os esforços dos homens compromissados
em contribuir na construção de seu mundo.
Nesse contexto de mudanças
e de transformações, como se colocam os papéis
da Escola e de Educador? De que modo nos colocarmos diante do
nosso fazer diário, quer individual, quer coletivamente
como escola? Qual o caminho para operacionalizar a mudança,
seja no solidário momento em que nossa consciência
individual nos cobra crescimentos, seja no momento grupal de trabalho,
quando, pelo exercício da humildade, somos capazes de perceber
que nossas práticas e procedimentos profissionais estão
inadequados ou mesmo superados, já que os resultados, igualmente,
não mais nos satisfazem?
Sem dúvida alguma, equipar
o educador e a escola para que não fiquem à margem
desse acelerado processo de mudanças nos parece ser a alternativa
e a responsabilidade maior de todos os envolvidos com a educação.
Equipar professor e escola, hoje, é abraçar apaixonadamente
a construção e reconstrução do Projeto
Político Pedagógico.
Desde a promulgação
da Lei 9.394/96, a construção do Projeto Político
Pedagógico passou a ser responsabilidade das escolas. Portanto,
a construção do Projeto Político Pedagógico
nas escolas municipais iniciou no ano de 1994, como um resultado
de uma preocupação histórica com a fragmentação
do conhecimento no ensino. Sendo assim, as comunidades escolares,
professores, pais, alunos, vivendo num contexto em transformação,
uniram-se e desenvolveram um trabalho coletivo, na organização
de seu "Projeto Educativo".
Este trabalho sério e
comprometedor, e o desejo de inovar, é definido como projeto,
por estar em constantes leituras, discussões, análises,
reflexões, fazendo uma ponte entre a teoria e a prática,
e sofrendo alterações de acordo com a necessidade
da comunidade escolar, contemplando a diversidade de valores culturais,
políticos e econômicos, diagnosticado no cotidiano
escolar, pelas práticas desenvolvidas.
Com todo essa documentação construída e registrada,
é possível a cada professor, que inicia o seu trabalho
pedagógico nas escolas municipais, familiarizar-se com
a proposta de trabalho, realizando as leituras dos registros que
relatam a "filosofia de trabalho, concepções
de educação, aluno, professor..., e a partir do
diálogo no coletivo é oportunizado a cada educador
envolvido, o repensar sobre a prática pedagógica,
e estar atuando de acordo com os princípios norteadores
da escola".
Desde o início, deve-se
ter a preocupação de estar registrando todos os
projetos, estudos, que o grupo desenvolve. Esta deve ser por obrigação
uma continuidade de cada novo grupo que inicia o trabalho pedagógico
nessas escolas municipais, pois como foi citado anteriormente,
construiu-se um projeto que está num contexto dinâmico.
O Projeto Político Pedagógico
é o diagnóstico da realidade existente: num primeiro
momento o real (realidade histórica-cultural-política-social),
e em outro momento o ideal (o que desejamos, quais as ações...).
O olhar que temos sobre a escola na qual trabalhamos, pesquisa
de campo, e a partir dos dados levantados, lutar pela construção
- que implica na coletividade - a "força", desde
serventes, merendeiras, pais, professores, alunos, enfim, todas
as relações que implicam no cotidiano escolar, levando
em conta a especificidade (meios, receios, desejos...). Assim
sendo, o P.P.P. é o retrato da realidade da escola construída
por todos, sendo uma intencionalidade.
Este é um momento de reflexão
importante para os professores especialmente porque cada professor,
de acordo com a sua "criatividade", irá levar
em conta a sua experiência e, por meio das trocas, refletir
sobre a Ação Pedagógica.
Toda Proposta Pedagógica
é resultado de um processo dialético: fazer, refazer,
pensar, repensar! Ação-reflexão-ação!
É um instrumento teórico-prático que possibilita
revelar o encaminhamento cotidiano do trabalho pedagógico,
ponto de partida e não de chegada; a eficácia do
projeto não depende do "papel", mas sim do desejo
de ações das pessoas; a responsabilidade depende
do envolvimento de todos os autores da educação.
A qualidade depende da participação efetiva de todos;
criar uma atmosfera diferente, mexer com a alma da própria
escola, onde todos se sintam seduzidos a transformar.
Comunicar-se é essencial,
pois é ser companheiro em todo o processo, para que haja
uma adesão voluntária e não por obrigação.
Credibilidade, responsabilidade e legitimidade;
referencial teórico; trabalhar em regime de colaboração;
acompanhamento de participação; avaliação
constante. É um processo que exige diálogo, reavaliação
constante de prática pedagógica e administrativa.
A proposta pedagógica entendida como processo deve proporcionar
momentos de profundo estudo e discussões das teorias e
todas as atualidades referentes à educação,
aprimorando assim, o desenvolvimento intelectual dos profissionais
envolvidos, bem como todas as decisões deverão passar
por momentos de trocas de idéias, sugestões, e chegando
a um consenso, promovendo assim, o ato democrático na educação.
Seguem sugestões para
a construção do P.P.P., tendo como objetivo principal
propor condições para que haja motivação
nesta construção/reconstrução. A intenção
não é padronizar, mas sim nortear, destacando pontos
importantes que deverão ser considerados na elaboração
do mesmo. Ressaltamos ainda, que todos os P.P.P. passam pelo aval
do Conselho Municipal de Educação. Após a
aprovação do P.P.P, faz-se a distribuição
das cópias na seguinte ordem: uma cópia para a Escola,
uma para o Conselho Municipal de Educação e outra
para a Biblioteca Pública.
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