ESPIN
Espaço Pedagógico Informatizado
Secretaria de Educação                    
 
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TECNOLOGIAS APLICADAS À EDUCAÇÃO
 

1 - Introdução

A História da Informática na Educação, em vários países e em especial na Educação Pública do Brasil, vem sendo construída na base do esforço heróico de profissionais nos diferentes níveis institucionais que dedicaram, dedicam e conseguiram construir uma história com "uma identidade própria", com "raízes sólidas e relativa maturidade". (VALENTE; ALMEIDA: 1997 p. 45).
 
É mister que algumas autoridades públicas, nos seus diversos níveis, busquem diminuir as diferenças sociais e culturais de seus cidadãos, através da universalização da Educação e da melhoria da qualidade do ato pedagógico, investindo maciçamente em recursos informacionais e na capacitação dos professores.
 
Diante das perspectivas mais favoráveis que se possa ter diante das potencialidades que emergem do uso das tecnologias (do computador, da internet, dos periféricos, etc), surgem questões essenciais que devem ser pensadas paralelamente ao uso destas ferramentas tão propícias à ampliação do potencial da Educação.
 
Essas questões que pedem posicionamentos responsáveis e estratégicos dizem respeito às concepções que permeiam o uso dessas tecnologias no ambiente educacional e as conseqüências acarretadas pela não acessibilidade dessas a todos os segmentos da sociedade. Nesse panorama, pode-se visualizar ainda mais a reprodução de um sistema que engendra a exclusão como maquinaria para a sua própria manutenção, onde "As novas tecnologias e os frutos da revolução tecnológica tendem a ampliar o distanciamento entre ricos e pobres." (SILVEIRA, 2003. p. 16).
 
2 - Legislação e políticas governamentais
Os legisladores dos mais diferentes níveis de competência legal registram nas leis a preocupação em sintonizar o Sistema Educacional com as mudanças que a realidade apresentar. Nas constituições Federal do Brasil (BRASIL: 1988) (Art. 205) e Estadual de Santa Catarina (SANTA CATARINA: 1989) (Art. 161), na Lei Orgânica do Município de Brusque (BRUSQUE: 1990) (Art. 199) e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL: 1996), LDB, (Art. 1º e seu parágrafo 2º e Art. 22) fica bem claro que o Estado, a família e toda a sociedade devem oferecer uma educação que vise o "pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho" (BRASIL: 1988).
 
Os governos, nos seus mais diversos níveis, sabedores de suas responsabilidades para com a legislação, a sociedade e principalmente, para com as novas gerações, criaram documentos institucionais sobre a Educação, exprimindo suas políticas educacionais com relação às novas tecnologias.
 
Aqui relacionaremos os principais documentos federal e municipal que firmam esse compromisso.
 
2.1 Nível Federal
O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) publicou, em setembro de 2000, o documento "Sociedade da Informação no Brasil" (BRASIL: 2000a). No capítulo 04, Educação na Sociedade da Informação, expressa claramente a sua preocupação com a informatização do setor educacional, como forma essencial para a sobrevivência da pesquisa científica no Brasil, bem como, para manter a soberania tecnológica do país;
 
Ministério da Educação(MEC) publicou através da:
 
  • Secretaria de Educação à Distância, SEED, o Programa Nacional de Informática na Educação, PROINFO (BRASIL: 1996) em 1996, no qual os governos federal, estadual e municipal, em parceria, comprariam 100 mil computadores, para distribuir para 06 mil escolas públicas do território nacional e fariam conexão à Internet. E tiveram, ainda, uma preocupação com a capacitação de 25 mil professores para que soubessem usar as novas tecnologias da informação como ferramenta pedagógica;
 
  • Secretaria de Educação Fundamental, os Parâmetros Curriculares Nacionais, PCN (BRASIL: 1998), em 1998. Esse documento fundamenta pedagogicamente a importância da utilização das Tecnologias da Comunicação e da Informação nas Escolas;
 
  • Secretaria de Educação a Distância, SEED, na Coleção Série de Estudos os temas Informática e Formação de Professores (BRASIL: 2000b) e Projetos e Ambientes Inovadores (BRASIL: 2000c), em 2000. Esses documentos fundamentam os novos paradigmas da Educação, definindo novos papéis pedagógicos para o professor e o aluno, auxiliados pela tecnologia informacional.
 
2.2 Nível Municipal
O governo municipal tem manifestado preocupação em implantar os recursos informacionais nas escolas municipais, como ferramenta pedagógica importante no processo de ensino/aprendizagem. E colocar todo o Sistema Educacional em Rede, utilizando a tecnologia da Internet para criar um Intranet e uma Extranet, permitindo assim, a democratização das informações educacionais para qualquer cidadão e o acesso em tempo real às informações referentes à vida escolar. Como demonstra seu Plano de Governo (2001 - 2004) (ROSA: 2000, p. 05), no item 4.3.
 

3 - Justificativas Pedagógicas

Melhorar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem, oportunizando a todos a igualdade de acesso integrando as tecnologias ao currículo escolar não como uma disciplina, mas como ferramenta, inclusive interdisciplinar, possibilitando aos alunos e professores a aquisição de novas habilidades.
 
Disponibilizar, quando possível, o conhecimento adquirido, através de ambientes on-line, entre professores e alunos da rede municipal e do mundo, para que a construção e desenvolvimento do conhecimento aconteçam dentro de um espírito de autonomia colaborativa. Dessa forma será possível ampliar o mundo de informação dos alunos e professores, através dos recursos que as tecnologias de informação e comunicação podem oferecer.
 
Criar uma nova ecologia cognitiva na escola, destsa maneira o professor e aluno terão acesso a uma grande quantidade de informações. É necessário ajudar o aluno a criar novas dinâmicas de estudo e trabalho (autonomia, cooperação, atividades em equipes, etc.). O professor, diante dessa mudança, deverá ajudá-lo a saber procurar, selecionar, analisar e compartilhar as informações que serão trabalhadas. E, principalmente, ajudá-lo a reelaborar a informação para criar novos conhecimentos que venham a ter significado para sua realidade.
 
4 - Proposta tecnológica
A administração municipal sabe da importância do uso pedagógico das tecnologias de informações e comunicações. Pois as tecnologias fazem parte do dia-a-dia dos alunos, seja via tv, jogos eletrônicos, cinema, etc. A educação não deve desprezar e nem ignorar essa realidade. Diante disso e sabedora que a escola faz parte do mundo e, para cumprir sua função de contribuir para a formação dos indivíduos que possam exercer plenamente sua cidadania, participando dos processos de transformação e construção da realidade, deve estar aberta e incorporar novos hábitos, comportamentos, percepções e demandas, a Secretaria de Educação de Brusque justifica, a seguir, uma Política Pedagógica de Informática Aplicada à Educação.
 

4.1 Centro de Tecnologia de Informação e Comunicação - CTIC

O CTIC da Secretaria de Educação tem como objetivo assessorar na criação e implementação de estratégias de tecnologias de informação e comunicação para a rede de ensino municipal, mantendo uma estrutura que disponibilize apoio técnico, administrativo e operacional na área de informática para a Secretaria de Educação, Conselho Municipal de Educação, Unidades Escolares e ao ESPIN (ver item 4.2), a fim de melhorar e aprimorar os sistemas de informações que integram a rede municipal.
 
Entre as estratégias de implantação, assessoria e suporte, destaca-se o desenvolvimento de sistemas, hardware, rede, segurança, software, banco de dados e internet.
 
4.2 Espaço Pedagógico Informatizado - ESPIN
O ESPIN é um espaço pedagógico da escola com recursos informacionais (microcomputadores, impressoras, scanner, gravadora de CD-ROM, digitalizadora de vídeo e som, TV e acesso à Internet) colocados à disposição dos professores e alunos para desenvolverem suas atividades curriculares, buscando um novo paradigma didático-pedagógico. Os Agentes principais são o Aluno e o Professor assessorados pelo Professor-Motivador.
 
4.2.1 - O aluno
O papel do aluno é de ser um sujeito ativo que seleciona, analisa, gerencia e processa os mais diversos tipos de informações (texto, fotos, imagens, vídeo, som, etc.) na construção do seu conhecimento, mediado pela ação intencional do professor, formando assim, um sujeito crítico, flexível e criativo.
 
4.2.2 - O professor
O professor é quem coordenada a ação pedagógica no ESPIN, deixando de ser apenas o sujeito informador para ser o organizador de situações de aprendizagem das atividades pedagógicas desenvolvidas no ESPIN. Dessa maneira o domínio dos recursos informacionais serão conhecidos pelo professor e aluno, durante as atividades didático-pedagógicas planejadas pelo(s) professor(es) na sua disciplina ou interdisciplinaridade apoiados pelo professor-motivador, integrando tanto o cotidiano da sala de aula como o uso das tecnologias de informação e comunicação.
 
4.2.3 - O professor-motivador
O professor-motivador é o agente de Apoio Pedagógico Informacional que, num primeiro momento, capacita os professores na utilização dos diferentes softwares para desenvolver suas atividades pedagógicas. Destaca-se ainda outras funções como:
 
  • Motivar os professores no estudo e reflexão teórica sobre o uso do computador e da Internet no ato pedagógico;
  • Auxiliar os professores na criação de Projetos que dinamizem os trabalhos curriculares, associando as atividades de sala de aula com o ESPIN;
  • Minimizar dúvidas sobre os aplicativos informacionais;
  • Instalar ou desinstalar aplicativos;
  • Orientar os alunos no uso e no cuidado com os recursos computacionais;
  • Administrar o planejamento de uso dos recursos do ESPIN, priorizando as atividades pedagógicas desenvolvidas pelos professores e facilitando aos alunos o uso dos recursos informacionais para desenvolver trabalhos escolares, desde que não haja atividades pedagógicas em andamento;
  • Disponibilizar material de apoio como fonte de recurso pedagógico;
  • Publicação via internet (sites) dos conhecimentos produzidos.
 
4.2.4 - Estratégias para Capacitação
A rede municipal de educação vem desde 2001, a partir da implantação do projeto ESPIN, capacitando seus professores para o uso das tecnologias de informação e comunicação. As capacitações do corpo docente de cada unidade escolar acontecem de diversas maneiras tais como:
 
a) Capacitação no Cotidiano Pedagógico do Professor e Aluno
O professor da Rede Municipal de Ensino não precisa criar uma expectativa angustiante quanto à apropriação e incorporação dos recursos informacionais no seu cotidiano pedagógico, porque ela será feita de maneira gradual e lenta.
 
O docente que não domina os recursos informacionais, mas tem o desejo e a disposição de introduzir estas novas tecnologias no ato pedagógico, poderá fazê-lo com a ajuda do professor-motivador do ESPIN. Para isso, deverá conversar com o professor-motivador, trazendo apenas o tema a ser estudado e este lhe dará sugestões, baseado nos recursos informacionais disponíveis no ESPIN. Se o docente aceitar a sugestão, o professor-motivador irá ensinar, tanto o professor com os alunos, os procedimentos para utilizar o software. Todos devem ter consciência que essa integração é lenta e gradual, porque na verdade estarão construindo dois conhecimentos diferentes: um o conhecimento curricular e o outro o conhecimento informacional.
 
b) Capacitação Periódica na Escola
A direção, a orientação pedagógica e o professor-motivador de cada Escola poderão organizar momentos de capacitação para todo corpo docente da escola.
 
c) Capacitação direcionada por área
A Secretaria de Educação, através da equipe pedagógica, poderá criar momentos de capacitação por áreas de conhecimento. A cada reunião pedagógica será marcado um encontro entre os docentes e os professores - motivadores. Esses se encarregarão de montar um painel geral que apresente os mais diferentes recursos informacionais que possam ser utilizados na prática pedagógica. E finalizará o encontro com um debate para esclarecimentos, críticas, sugestões sobre a capacitação (feedback).
 
5 - Ação pedagógica
As possibilidades do uso pedagógico das tecnologias de informação e comunicação na educação são imensas. É preciso considerar as variáveis que atuam no processo de ensino-aprendizagem e, por isso, citaremos algumas sugestões de ações pedagógicas com as tecnologias:
 
  • Digitalização de fotos, desenhos, figuras, vídeos, voz, som e músicas;
  • Produção de textos (Editor de Textos);
  • Gráficos e tabelas (Planilha de cálculo);
  • Edição Multimídia, integrando nos trabalhos escolares textos, fotos, figuras, vídeo, som, músicas, animações, etc.
  • Produção de material artístico (cartilhas, folders, calendários, agendas escolares, banner, cartões, etc.) e didático (WebQuest);
  • Produção de apresentações de conteúdos de aula em multimídia (Editor de Apresentação);
  • Publicação dos conhecimentos produzidos em sala de aula, ESPIN, saída de campo, etc. via internet (Sites, Blogs, Fotologs);
  • Comunicação à distância (e-mail, chat, fóruns e lista de discussão, vídeo conferência);
  • Simulações de experiências científicas (Matemática, Química, Física, etc.).
 
6 - Reflexão
Como reflexão, destaca-se dois momentos importantes para o acesso às Tecnologias da Informação e Comunicação, na perspectiva de trabalho: Qual sentido que a tecnologia representa na sociedade e como tornar essa tecnologia um meio viável e eficaz, acessível a todos e formador de uma nova sociedade.
 
As "Tecnologias da Informação e Comunicação" são estratégias para autonomia das pessoas, pelos direitos que elas têm de ter acesso à informação e mais, devem ser orientadas para apropriação dessas tecnologias como instrumento de emancipação na luta, conquista e construção de uma sociedade liberta das desigualdades.
 
Este trabalho encerra-se com as palavras do professor Paulo Gileno Cysneiros:
 
Nossa utopia é sempre tentar mudar a história futura para melhor, e não defendo posições tradicionalistas ou contrárias à tecnologia na educação. Vejo as novas tecnologias como mais um dos elementos que podem contribuir para melhoria de algumas atividades nas nossas salas de aula. Por outro lado, também não adoto o discurso dos defensores da nova tecnologia educacional, que mostram as mazelas das escolas (algo muito fácil de se fazer), deixando implícito que nossos professores são dinossauros avessos a mudanças. É um discurso tentando nos convencer a dar mais importância a objetos virtuais, apresentados em telinhas bidimensionais, deixando implícito que a aprendizagem com objetos concretos em tempos e espaços reais está obsoleta. (CYSNEIROS, 2000, p. 03).
 
7 - Referências bibliográficas
 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988. DOU, de 05 out. 1988.
 
_______. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9394, de 20 de dezembro de 1996. DOU, 23 dez. 1996.
 
_______. Ministério de Ciência e Tecnologia. Sociedade da Informação no Brasil: Livro Verde. Brasília: MCT, set. 2000. Disponível em: <http://www.socinfo.org.br> Acesso em: 03 nov. 2000, p. 45 - 56
 
_______. Ministério da Educação. Programa nacional de Informática. Brasília: MEC, 06 nov. 1996. Disponível em: <http://www.mec.gov.br/Destaq/ProInfo/pi.html> Acesso em: 10 dez 1996. ou <http://www.proinfo.gov> Acesso em: 10 jan. 1998, p. 07 - 25.
 
_______. Ministério da Educação. Secretaria de Ensino Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Brasília: MEC, 1998, p. 133 - 159.
 
_______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação a Distância.Informática e Formação de Professores. Brasília: MEC, vol. 01 e 02. 2000.
 
_______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação a Distância, Projetos e Ambientes Inovadores. Brasília: MEC, 2000.
 
BRUSQUE. Lei Orgânica do Município de Brusque, de 03 de abril de 1990.
 
CYSNEIROS, P. G.. Novas Tecnologias na Sala de Aula: Melhoria do Ensino ou Inovação Conservadora? Recife: dez. de 2000. p. 11. Texto recebido por: <cysne@npd.ufpe.br> em: 11 mar. 2001.
 
SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. Exclusão Digital: a miséria na era da informação. São Paulo - SP: Editora Fundação Perseu Abramo, 2003.
 
28/02/2008 - Relatório da Primeira Reunião do Projeto ESPIN em 2008
26/02/2008 - Reunião/Capacitação da Equipe ESPIN 7:30h no Johas
 
 
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