Paraty
A FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty - homenageou nesta edição o sociólogo Gilberto Freyre. O evento, cuja programação principal estruturou-se em 14 mesas, cada uma com um tema, aconteceu durante o período de 4 a 8 de agosto, com a presença de escritores nacionais e estrangeiros.
Ative-me em participar das mesas para as quais o Prêmio OFF FLIP me contemplou com ingressos. Isabel Allende passou do meu lado, após a palestra do marido Willie Gordon. Baixinha, vi quando ela se cobriu com o casaco para não ser assediada nas ruas de Paraty.
Na mesa 1, Edson Nery da Fonseca, bibliotecário, declamou um poema de Freyre sobre a cidade de Salvador (BA) que me arrebatou. Corri para a fila de autógrafos, após comprar o livro “Vão-se os dias e eu fico”.
Salman Rushdie, autor do polêmico Versos Satânicos, foi outra mesa em que estive presente. Mesmo que você não tenha lido nenhuma obra do autor, compreenderá a palestra, pois o mediador fará um resumo do itinerário bibliográfico do autor convidado.
Não podia perder a mesa sobre o futuro do livro com Robert Darnton, historiador e diretor da biblioteca da Universidade Harvard, autor de, entre outros, “A questão dos livros”. Não há resposta definitiva sobre o futuro do livro, acredita-se que ele sobreviverá, apesar de migrar para outros suportes.
A festa acontece no Centro histórico da cidade de Paraty. É como se a cidade se transformasse num imenso livro, repleto de lugares secretos a desvendar. Assim como no mundo virtual, é preciso que você chegue lá, para depois saber exatamente do que se trata.
Após alguns dias o visitante se familiariza com a cidade e descobre, por exemplo, que na Casa da Cultura há palestras gratuitas, desde que você pegue os ingressos com uma hora de antecedência. Foi assim que assisti a entrevista com Castello, crítico literário e autor de Ribamar, romance-biografia que será lançado na Bienal do Livro de São Paulo.
As ruas de Paraty são feitas com pedras de tamanho variado, exige que se caminhe olhando para o chão, como se estivesse lendo a legenda de um filme. Aos poucos o visitante se acostuma com as pedras irregulares e passa a desfrutar da cidade com livros pendurados em árvores como se fossem frutas, oficinas ao ar livre, poetas e escritores nas esquinas, artistas, saraus, teatro de bonecos.
Num passeio de charrete o visitante descobre onde fica a casa de Roberto Marinho, Almir Klink, a rua do Fogo, o cemitério vertical, a biblioteca pública instalada na antiga prisão, o cais de onde saem os barcos: assim, no domingo, com o céu azul presente de Deus, naveguei no mar de histórias de Paraty.
por Suzana Mafra


